quinta-feira, 21 de junho de 2007

Aqui passo as horas quando mudo de sentido, ou indeciso estou... Um jardim pleno de Tejo e de Céu, guardado por uma estátua rude do Adamastor!

Aqui deixo a história do Adamastor escrita por algum anónimo da Net:

"Com o sangue que escorria de uma das feridas do mutilado Úrano, e com a ajuda de Geia, foram criados os gigantes. Entre eles encontravam-se Encélado, Egeu, Centimano (que tinha cem braços) e Adamastor. Colossos de um tamanho imenso, eles possuíam um tronco terminando em cauda de serpente. Extremamente bravos e indomáveis, tentaram subir ao Olimpo, onde se encontrava Zeus e seus irmãos com o intuito de vingar os condenados titãs. Colocaram montanha sobre montanha para conseguir chegar ao topo, convictos da sua invencibilidade, pois apenas podiam ser destruídos por um deus e um mortal agindo juntos. Infelizmente para eles, um oráculo revelou aos deuses este segredo. Então Zeus pediu ajuda a Prometeu, filho de Jápeto, um dos titãs que sobrevivera, pois permanecera do lado de Zeus, e a Héracles (ou Hércules), um mortal fortíssimo, que afastou as montanhas sobrepostas pelos gigantes, fazendo-os cair e ficar esmagados por elas, enquanto Zeus os fulminava. Mas alguns sobreviveram e foram presos nas profundezas da Terra, ou transformados em promontórios, rochas alcantiladas e ilhas. Foi o caso do Adamastor. Este não participara propriamente na escalada do Olimpo para destruir Zeus, mas sim na tentativa de conquistar os mares e encontrar Neptuno (deus das águas), aliado de Zeus. Isto porque se apaixonara por Thétis, uma das nereides filhas de Nereu (deus do mar) e Dóris, esposa de Peleu e rainha do mar. Sendo Adamastor de grande fealdade, não a conseguiu conquistar e resolveu então tomá-la pela força das armas. Dóris avisou a filha do perigo, mas ela recusou-se a amá-lo. Armaram-lhe, então, uma armadilha, dizendo-lhe que Thétis ficaria com ele, se fosse poupada aos males da guerra. Cheio de esperanças, Adamastor pôs fim à guerra e quis encontrar-se com Thétis. Ela apareceu-lhe, mas quando ele a abraçou e beijou, encontrou-se de repente abraçado ao cume de um monte. Profundamente magoado e desgostoso, deambulou pelas terras, à procura de um lugar onde alguém não se risse da sua aparência monstruosa e do seu fracasso amoroso. Nessa altura estavam os seus irmãos a ser derrotados pelos deuses do Olimpo, e apesar de ele não ter intervindo directamente na destruição de Zeus, andando em vez disso perdido a choramingar, também ele foi castigado, sendo convertido num rochedo - o Cabo das Tormentas. Para lhe tornar o castigo mais duro, a sua adorada Thétis vagueava pelo oceano sem que ele lhe pudesse chegar."

Adamastor é uma figura central na Psique Portuguesa fundada na Epopeia Marítima... aqui fica um excerto dos Lusíadas de Luis de Camões (sec. XVI) e um poema já do séc passado de Fernando Pessoa sobre o mesmo personagem!

"Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura,
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.

"Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te, que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo:
Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo:
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo."

--------------------------------------

O mostrengo que está no fundo do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: "Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?"
E o homem do leme disse, tremendo:
"El-Rei D. João Segundo!"

"De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?"
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
"Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?"
E o homem do leme tremeu, e disse:
"El-Rei D. João Segundo!"

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
"Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!"

0 comentários: